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25 Outubro 2017

Dra. Rita Travassos

Acne

A acne é uma das patologias mais frequentemente observada em consulta de Dermatologia sobretudo (mas não exclusivamente) em adolescentes e adultos jovens.

Acne - Dermatologista Rita Travassos

 

ACNE

DRA. RITA TRAVASSOS - DERMATOLOGISTA


A acne é uma das patologias mais frequentemente observada em consulta de Dermatologia sobretudo (mas não exclusivamente) em adolescentes e adultos jovens. Trata-se de uma doença multifatorial que envolve a unidade pilossebácea, caracterizando-se clinicamente pela presença de comedões, pápulas, pústulas e, menos frequentemente, nódulos inflamatórios, quistos e cicatrizes, geralmente localizada à face e tronco.

 


Com a puberdade, o aumento da secreção de hormonas sexuais masculinas, característico deste período em ambos os sexos, condiciona nalguns jovens uma resposta anormal do folículo pilossebáceo, traduzida pela excreção de sebo mais abundante e modificação das características do revestimento dos folículos, dificultando a drenagem do sebo. 

Como consequência, formam-se comedões que correspondem à retenção de sebo no folículo, conhecidos vulgarmente como “pontos brancos” e “pontos negros”.
A formação de comedões e a consequente retenção da drenagem sebácea é acompanhada pela proliferação de agentes microbianos, nomeadamente o Propionibacterium acnes e o processo inflamatório é mantido e amplificado pela produção de mediadores de inflamação, que conduzem ao aparecimento de outras lesões características, como as pápulas e pústulas, conhecidas vulgarmente como “borbulhas”. Quando o processo inflamatório é mais intenso podem surgir lesões de maior dimensão e dolorosos - os nódulos inflamatórios e os quistos, também volumosos e arredondados, com ou sem sinais inflamatórios, de conteúdo cremoso.

  QUANDO OCORRE? QUEM ESTÁ EM RISCO?

A acne é mais frequente na adolescência (prevalência de 50-95%), com pico de prevalência aos 14 anos nas raparigas e aos 16 anos nos rapazes. Depois deste período a tendência é a redução e resolução progressiva desta patologia, que atinge cerca de 12% das mulheres e 5% dos homens aos 25 anos de idade e aos 45 anos cerca de 5% dos indivíduos de ambos os sexos. Outro período da vida em que a acne também pode surgir ou agravar é na gravidez.

São ainda reconhecidos fatores de risco genéticos e ambientais. Recentemente tem mesmo sido dada mais importância à dieta, nomeadamente à relação da acne com alimentos de elevado índice glicémico e lacticínios (especialmente o leite desnatado).

  PORQUE TRATAR?

Sem tratamento, as lesões de acne podem evoluir para cicatrizes inestéticas e desfigurantes, cujo tratamento é mais difícil. Quanto mais precocemente se iniciar o tratamento, menor a probabilidade de ocorrer esta evolução.

Por outro lado, a acne apresenta um impacto psicológico importante em qualquer idade, mas particularmente nos adolescentes. Nesta faixa etária a imagem corporal tem um impacto muito importante na autoestima e esta condição pode conduzir ao isolamento social e mesmo depressão, pelo que não deve ser negligenciada.

  COMO SE TRATA A ACNE? 

O tratamento da acne baseia-se, de um modo geral, na redução da produção de sebo, na aceleração da renovação das células da pele, no controlo da infeção e na redução da inflamação. Os tratamentos utilizados podem ser locais, orais ou combinação dos anteriores.

Os tratamentos locais incluem: antibióticos que controlam a proliferação bacteriana; fármacos que aceleram a renovação celular e impedem a obstrução dos poros, evitando a acumulação e retenção de sebo, assim como produtos de dermatocosmética que auxiliam na limpeza e hidratação da pele, prevenindo a oleosidade excessiva. 

Os tratamentos orais incluem, além de antibióticos, contracetivos hormonais e fármacos que reduzem a produção de sebo e aceleram a renovação celular. Estes fármacos têm efeitos adversos e contraindicações importantes (especialmente em mulheres em idade fértil), pelo que só devem ser tomados com prescrição médica.

Os peelings, o laser e o preenchimento com ácido hialurónico também podem ser muito úteis no tratamento das lesões residuais, nomeadamente cicatrizes e hiperpigmentação pós-inflamatória.

O tratamento da acne é sempre personalizado, em função da sua gravidade e das características individuais do doente, pelo que deverá ser decidido e realizado pelo médico dermatologista.

 

 

  RECOMENDAÇÕES

A face deve ser lavada duas vezes por dia e após períodos de intensa sudação, com água tépida e produto de limpeza suave, que deverá ser aplicado delicadamente com as pontas dos dedos.

Os produtos a aplicar na pele devem ser não abrasivos, não irritativos e sem álcool, devendo ser evitado o uso de tónicos e o uso abusivo de esfoliantes, que agravam a secura e vermelhidão da pele.

Se for utilizada maquilhagem, devem ser escolhidos produtos não comedogénicos (oil-free) e esta deverá ser sempre removida antes de deitar.

Evitar arranhar, friccionar ou espremer as lesões, assim como tocar constantemente na pele, pois estes gestos podem conduzir a infeção das lesões e formação de cicatrizes.

Evitar exposição solar excessiva e utilização de solários, pois além de danificar a pele e aumentar o risco de cancro cutâneo, alguns fármacos utilizados no tratamento da acne aumento a sensibilidade à radiação ultravioleta.

  CONCLUSÃO

Hoje em dia os tratamentos da acne existentes são de facto eficazes.
Os dermatologistas podem não só ajudar a tratar a acne, como também prevenir novos surtos e reduzir o desenvolvimento de cicatrizes.
Pelo que se:
- tiver acne ativo ou lesões residuais, como cicatrizes
- os produtos que tem utilizado não têm demostrado eficácia
- ou se tiver dúvidas ou preocupações sobre como cuidar da sua pele deverá marcar uma consulta de Dermatologia.

 

 

BIBLIOGRAFIA

1. https://www.aad.org/public/diseases/acne
2. http://emedicine.medscape.com/article/1069804
3. http://www.spdv.com.pt/_script/?id=10&det=43
4. Figueiredo A et al. Avaliação e tratamento do doente com acne – Parte I: Epidemiologia, etiopatogenia, clínica, classificação, impacto psicossocial, mitos e realidades, diagnóstico diferencial e estudos complementares. Rev Port Clin Geral 2011; 27: 59-65.
5. Nat A et al. European Evidence-based (S3) Guideline for the Treatment of Acne (ICD L70.0) Update 2016.
6. Zaenglein AL et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J AM Acad Dermatol 2016; 74(5): 945-73.
7. Teixeira V, Vieira R, Figueiredo A. Impacto psicossocial. Revista SPDV 2012; 70(3): 291-296.

Artigo da autoria da Dra. Rita Travassos (Dermatologista).