Os cinco sentidos do bebé | Bioderma Portugal

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24 Janeiro 2017

Rosa Cordeiro (Pais&filhos)

Os cinco sentidos do bebé

Nas primeiras semanas de vida parece que o bebé pouco mais faz do que comer, dormir, chorar e sujar fraldas. Mas as aparências iludem, e, sob aquele ar indefeso de quem depende completamente de nós, há um ser alerta, que absorve tudo o que vê, escuta, cheira, prova e toca.

Os cinco sentidos do bebé

Absorver é o verbo perfeito neste contexto, porque, ao contrário do que se pensou durante muitos anos, o recém-nascido é uma autêntica esponja, ligando-se a nós através de cada um dos sentidos, à medida que tenta perceber como o mundo funciona.

Embora vá levar algum tempo até entender o que é que toda essa informação significa, o recém-nascido consegue, mesmo assim, encontrar alegria e conforto nos rostos, vozes e sensações familiares do seu dia-a-dia. Alguns sentidos, como o cheiro, o paladar e o tato, já são “poderosos” à nascença, enquanto, por exemplo, a audição só se desenvolve completamente ao fim do primeiro mês, e a visão ao longo do primeiro ano. De qualquer forma, os cinco sentidos ligam o bebé ao exterior, e constituem uma porta aberta à experimentação de muitas sensações novas e extraordinárias. Afinal os bebés, mesmo recém-nascidos, fazem muito mais do que parece à primeira vista. Eles interessam-se por tudo, e faz parte do “trabalho” da família oferecer-lhes alternativas de interação novas, que estimulem e alimentem a sua ânsia de aprender. Cabe aos pais guiá-los e estimulá-los, acompanhando-os na conquista de habilidades e na perceção do meio envolvente. Para que possamos cumprir este papel, ajuda saber com o que contamos em relação a cada sentido.

 

VISÃO

visao os cinco sentidos do bebéO recém-nascido é um pouco míope, e só vê de forma nítida a uma distância entre 20 a 30 cm (mais ou menos a distância entre o rosto dele e o nosso quando cuidamos dele, lhe pegamos ao colo e lhe damos de mamar). Talvez por isso, o rosto humano está entre as coisas favoritas do bebé para olhar, especialmente o dos pais ou o seu próprio – experimente colocar um espelho adequado, de forma segura, no berço, ao nível dos olhos dele, e vejam como se mira. O rosto da mãe é o seu favorito, e consegue distingui-lo dos outros, reagindo às suas expressões.
A visão das cores não amadurece até aos quatro meses, mas, pouco depois de nascer, os bebés já percebem bem os contrastes vivos de cor, e são capazes de seguir esses objetos contrastantes com os olhos, não obstante uma certa dessincronização dos movimentos oculares.
Por volta dos três meses, o bebé já consegue fixar um objeto com os dois olhos coordenados, sem os “cruzar”. Aos sete meses a visão do bebé já está amadurecida, e, pouco depois, a sua coordenação mão-olho e perceção da profundidade já melhoraram o suficiente para lhe permitir estender a mão e agarrar um brinquedo dentro do seu campo de visão.
Uma nota para as mães que dão biberão e para os pais: mudem de lado, tal como uma mãe faria a amamentar, para que ambos os olhos do bebé sejam igualmente exercitados.

O bebé adora olhar para nós, pelo que, quando estamos com ele, é importante olhá-lo nos olhos e dedicar-lhe atenção exclusiva. Devemos proporcionar-lhe coisas interessantes para olhar, introduzindo novos objetos nas suas rotinas. E não nos devemos esquecer de o mudar de sítio durante o dia, para que o seu cenário mude.

 

OLFATO E PALADAR

olfacto os cinco sentidos do bebéEstes são os dois sentidos que mais se relacionam intimamente. O olfato é, curiosamente, um dos primeiros sentidos a desenvolver-se, ainda no feto. De acordo com Alan Greene, professor de pediatria na Stanford University School of Medicine, “no final do primeiro trimestre de gravidez, o bebé consegue cheirar os alimentos que a mãe ingere. Este é o sentido predominante, que surge muito cedo, porque os cheiros passam o líquido amniótico”. E, no final da primeira semana de vida, o nariz do bebé está de tal forma apurado que ele consegue distinguir entre o cheiro do leite da sua mãe e o de outra mulher. “Os recém-nascidos orientam-se pelo cheiro, mais do que por qualquer outro sentido. Um bebé colocado em cima da barriga da mãe depois de nascer, vai ‘abrir caminho’ até à mama, para a sua primeira refeição, ‘navegando’ pelo cheiro ”, refere Alan Greene.

Podemos usar o apurado nariz do nosso bebé para o ajudar a acalmar-se, deixando junto dele uma camisa de dormir com o cheiro da mamã, por exemplo. Odores suaves como a lavanda também podem ajudar. E lembremo-nos que também é sensível aos maus cheiros; há estudos que provam que, ainda no útero, os bebés franzem o nariz ao cheiro do tabaco.

Quanto às papilas gustativas, elas estão totalmente formadas na altura do nascimento, embora o bebé já saiba apreciar o gosto do líquido amniótico, ainda dentro do útero materno. Os recém-nascidos preferem os sabores doces aos salgados ou ácidos (o que é bom, dado que tanto o leite materno como os leites de fórmula são doces). E mesmo quando começam as comidas sólidas, continuam a preferir coisas doces, como fruta e batata-doce, em vez de, por exemplo, vegetais com sabores mais pungentes. Convém ter isto em mente, pois as papilas gustativas dos bebés são tão sensíveis, que, inicialmente, sabores amargos, como o dos espinafres, por exemplo, podem ser esmagadores e opressivos. Com o passar do tempo, no entanto, e como refere o pediatra Mário Cordeiro, isto “não deve servir como alibi para as ‘esquisitices’ das crianças”.

Os bebés detetam os sabores através do leite materno, pelo que a mãe deve ter uma dieta saudável e variada, para que o palato do recém-nascido se vá habituando a coisas novas. Assim que se começam a introduzir outros alimentos para além do leite, há que variar o mais possível (respeitando o calendário pediátrico, para evitar alergias) e insistir: pode levar entre 15 a 20 vezes para que o bebé goste de um alimento novo.

 

AUDIÇÃO

audicao os cinco sentidos do bebéO bebé ouve sons desde o útero, por volta da 26ª semana de gestação. O bater do coração da mãe, o gorgolejar do seu aparelho digestivo, e até sons externos, como vozes e músicas. E, depois de nascer, pode inclusive reconhecer esses sons, nomeadamente melodias que costumavam pôr a tocar para ele, ou a voz do pai. Aliás, a memória auditiva dos bebés é surpreendentemente de longo termo: o professor Alan Greene relata um estudo em que, durante a gravidez, cada mulher punha uma música à sua escolha a tocar para o seu bebé, e, depois dele nascer, como parte da experiência, não voltaram a colocar essa música durante um ano. Passado esse tempo todo, ao escutar a música, os bebés mostravam sinais de reconhecimento, o que não acontecia com outras que nunca tinham ouvido.

A verdade é que, depois de nascer, o bebé ouve tudo alto e bom som, até muito melhor que os pais. Por isso não nos devemos espantar que se assuste com um ruído que a nós não nos pareceu nada de especial. Da mesma forma, o bebé pode estremecer com o ladrar inesperado de um cão, ou sossegar com o embalo suave da máquina de lavar loiça ou o zumbido do secador de cabelo.

A voz humana é a “melodia” preferida do bebé, principalmente a da mãe e do pai. Por isso é muito importante falarmos com os bebés. Se ele está a chorar no quarto, repare como a sua voz, à medida que se aproxima, o começa logo a acalmar. Ou como o escuta atentamente quando lhe fala em tom carinhoso. O recém-nascido pode ainda não coordenar a audição com a visão, mas mesmo quando está a olhar para o infinito, o mais provável é que o bebé esteja a ouvir a sua voz com a máxima atenção. E não se coíba da “falar à bebé”, pois a voz aguda que normalmente adotamos quando falamos com os bebés é a sua preferida.

Ele não nos responde, mas escuta-nos atentamente, pelo que há que falar constantemente com o nosso bebé, num tom carinhoso e reconfortante. Podemos falar-lhe mesmo quando não estamos na mesma divisão que ele. Também é bom que lhe cantemos canções e façamos ruídos engraçados, vocalizando-os ou mesmo apenas fazendo estalidos com a língua, por exemplo. A audição do bebé é muito apurada, pelo que devemos evitar ao máximo expô-lo a ruídos muito altos.

 

TATO

tato os cinco sentidos do bebéParece contraditório, mas o sentido do tato também é importante para os bebés antes de nascerem. É a sua principal ferramenta para explorarem o mundo no útero, diz Alan Greene:  “os bebés puxam e empurram, tocam no seu rosto a exploram o revestimento do útero”. Além disso, o feto é sensível aos estímulos táteis que lhe chegam a partir dos movimentos da mãe. Depois do nascimento, o bebé procura conforto no toque. É normal, pois veio de um ambiente quente, aconchegante e envolvente, tomando agora o primeiro contacto com o frio, o roçar áspero do berço ou a aresta dura de uma costura dentro da roupa. Por isso os bebés adoram ser acariciados, ou, simplesmente, estarem em contacto com o corpo e a pele dos pais, e é deles que esperam os toques suaves para amenizar a aspereza do mundo onde entraram de repente: lençóis suaves, cobertores fofinhos, abraços reconfortantes e carícias amorosas. Com tudo o que toca a sua pele, o bebé está a aprender sobre a vida, pelo que quantos mais beijos e mimos lhe dermos, mais ele percebe que o mundo também pode ser um lugar envolvente e calmante.

A pele do bebé é ultrassensível, pelo que devemos ser sempre muito suaves no toque com um recém-nascido, tanto nas carícias como nas massagens. Um bom truque é imaginarmos que a pele do bebé começa cerca de 10 cm antes do que acontece na realidade, porque ele consegue sentir as vibrações do nosso corpo antes de lhe tocarmos. Colocar o recém-nascido junto à nossa pele conforta-o e ajuda-o a regular a respiração e a temperatura.

Por Rosa Cordeiro (Pais&filhos)