Bioderma Portugal | ACNE - Como prevenir? Como tratar?

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12 Novembro 2019

Dr. Vasco Macias Dermatologista

ACNE - Como prevenir? Como tratar?

A acne é uma doença inflamatória da pele que foi descrita pela primeira vez no século VI d.C. O pico de incidência ocorre durante a adolescência, quando cerca de 85% dos jovens entre os 12 e os 24 anos são afetados.

Dermatologista Vasco Macias

 

ACNE

DR. Vasco Macias - DERMATOLOGISTA


Apesar de habitualmente ser associada aos adolescentes, diversos estudos comprovam que os adultos com mais de 25 anos também são afetados, particularmente as mulheres – estima-se que cerca de 40% das mulheres adultas tenham acne.

 


 

  CAUSAS

Sendo uma doença multifatorial, é causada por uma complexa interação de fatores internos e externos. Para além de uma possível predisposição genética, as causas da acne englobam a produção excessiva de sebo, a proliferação das células dos canais dos orifícios pilosos (poros da pele) que leva à formação de comedões (vulgarmente designados pontos negros), a colonização bacteriana (a bactéria Cutibacterium acnes – anteriormente designada por Propionibacterium acnes – contribui significativamente para o desenvolvimento da acne), a resposta inflamatória do sistema imunitário e ainda fatores hormonais que podem influenciar a secreção de sebo.

Do ponto de vista clínico, as lesões de acne localizam-se preferencialmente nos locais de maior concentração das glândulas sebáceas, como a face e porção superior do tronco, e podem ser de diversos tipos: comedões abertos e fechados (vulgarmente designados por pontos negros e pontos brancos, respetivamente), pápulas, pústulas e, nos casos mais graves, nódulos e quistos. As formas mais graves e raras de acne podem estar associadas a manifestações sistémicas como febre, dores musculares e articulares, alterações ósseas, entre outras. O tratamento correto e atempado da acne é fundamental para a prevenção das cicatrizes que poderão ter grande impacto estético e psicológico.

Acne - Causas

  ACNE DA MULHER ADULTA

A acne da mulher adulta, situação cada vez mais frequente, é uma condição com marcado impacto psicossocial e que tem algumas particularidades. Do ponto de vista de evolução clínica, podemos distinguir três subtipos:

a) Subtipo persistente: corresponde a um prolongamento da acne juvenil e é o subtipo mais frequente.
b) Subtipo de início tardio: forma de acne que surge durante a idade adulta em mulheres sem história prévia de acne.
c) Subtipo recidivante: corresponde a uma recidiva da acne durante a idade adulta em mulheres com história de acne juvenil.

Contrariamente ao que se verifica na acne juvenil, onde as lesões de acne se localizam na sua maioria na chamada “zona T”, nesta faixa etária, as lesões estão localizadas preferencialmente na porção inferior da face e pescoço (mandíbula, queixo e em torno da boca) e há um predomínio de lesões inflamatórias em detrimento dos comedões. No que concerne às causas desta forma particular de acne, apesar de não ser conhecida uma causa óbvia, alguns fatores desencadeantes e de agravamento já foram identificados:

Fatores hormonais: a maioria das mulheres refere um agravamento na semana que antecede a menstruação e é também frequente o agravamento com a utilização de alguns métodos contracetivos que libertam progestagénios (ex: implantes subcutâneos que libertam progesterona). Importa, no entanto, salientar que a maioria das mulheres com acne não tem alterações hormonais detetáveis nas análises sanguíneas pelo que, na ausência de outros sintomas sugestivos de desequilíbrios hormonais (ex: irregularidades menstruais, queda de cabelo, obesidade e pilosidade excessiva), estas não são relevantes.

Predisposição genética: 50% das doentes com acne na idade adulta tem história familiar de acne num familiar de primeiro grau.

Resistência bacteriana: a utilização prolongada e frequente de antibióticos contribui para o desenvolvimento de resistências bacterianas e para a ativação crónica do sistema imunitário da pele com consequente inflamação.

Cosméticos: a utilização de produtos oclusivos favorece o agravamento da acne.

Stress e tabaco: é sabido que o stress aumenta a produção de sebo pelas glândulas da pele o que contribui para o agravamento da acne. Sabes e também que as fumadoras têm maior incidência de acne e propensão para formas mais graves da doença.

Ance Correta higiene da face

  PREVENÇÃO 

Existem poucos estudos focados na prevenção da acne, no entanto alguns comportamentos poderão ser úteis:

Correta higiene da face: a higiene da pele remove o excesso de oleosidade (sebo), impurezas e suor que podem contribuir para o agravamento da acne. Deverá optar por produtos suaves, não deslipidantes e não comedogénicos (oil-free). Mas atenção, a lavagem excessiva pode irritar a pele e agravar a acne! Lave a face ao acordar e antes de dormir.

Limpar a pele antes de dormir: até a maquilhagem não comedogénica pode provocar acne se dormir com ela aplicada. Deverá desmaquilhar-se sempre antes de dormir com um produto de higiene ou toalhetes não comedogénicos.

Limpar a pele antes e depois de praticar exercício físico: a oclusão dos poros pode contribuir para o agravamento da acne. É ainda importante afastar o cabelo da face enquanto se pratica exercício físico para evitar que os óleos dos produtos de styling como ceras, lacas e géis de cabelo possam agravar a acne.

Utilização correta de produtos adaptados ao tipo de pele: os produtos não comedogénicos, ou seja, que não provocam obstrução dos poros, contribuem para a prevenção e tratamento da acne. Deverá optar sempre por estas gamas quando procura produtos de higiene, hidratantes, protetores solares, maquilhagem e qualquer outro produto cosmético que se destine a ser aplicado na face.

Evitar partilhar maquilhagem, pincéis e outros aplicadores de maquilhagem: apesar de a acne não ser uma doença contagiosa, a partilha de maquilhagem ou de aplicadores de maquilhagem pode levar à transferência de bactérias e sebo que causam agravamento da acne.

Minimizar o stress: como referido anteriormente, o stress (físico ou emocional) contribui para o aumento dos níveis de cortisol e, consequentemente, para aumento da secreção das glândulas sebáceas da pele. A adoção de comportamentos que ajudem na redução do stress será benéfica para a acne.

Hábitos de sono saudáveis: um sono insuficiente ou de má qualidade pode contribuir para o aumento dos níveis de cortisol e agravamento da acne.

Evitar a manipulação da pele: as mãos têm diversas bactérias e impurezas que agravam a acne. É ainda fundamental evitar a expressão das borbulhas para prevenir infeções e cicatrizes.

Acne - Cuidados com a dieta

  CUIDADOS COM A DIETA 

1 Evitar o consumo excessivo leite: estudos indicam que o consumo de mais de dois copos de leite por dia pode contribuir para o agravamento das formas moderadas a graves de acne. Curiosamente, esta associação parece ser mais notória com o leite magro;

2 Evitar o consumo de alimentos com elevado índice glicémico: alimentos como os refrigerantes, batatas fritas, produtos de pastelaria, arroz branco e a “fast-food” provocam um rápido aumento dos níveis de açúcar no sangue que são responsáveis pelo agravamento da acne. Pequenos estudos sugerem que uma dieta com baixo nível de açúcares e rica em vegetais, fruta fresca e peixes com elevada concentração de ómega 3 pode reduzir a acne;

3 Moderar o consumo de chocolate: o chocolate de leite (devido ao seu conteúdo lácteo) e o chocolate negro (pelo seu conteúdo em ácidos gordos que contribuem para a formação de comedões) podem agravar a acne.

 

 

Se, apesar dos cuidados enumerados, tiver acne, consulte o seu dermatologista. O tratamento deverá ser personalizado e adequado a cada pessoa. Tendo em conta o tipo predominante de lesões, a gravidade e extensão da doença, a idade do paciente e a estação do ano, o seu dermatologista poderá optar por diferentes opções terapêuticas. A utilização de medicamentos orais ou tópicos (de aplicação cutânea) poderá ser necessária. Os antibióticos com ação anti-inflamatória na pele, os retinóides e os medicamentos com ação hormonal, sempre associados à correta utilização de dermocosméticos, são algumas das ferramentas mais utilizadas no tratamento desta patologia. Terapêuticas adjuvantes como peelings, tratamentos LASER e até alguns procedimentos cirúrgicos poderão também ser considerados.

 

 

Artigo da autoria do Dr. Vasco Macias | Dermatologista | Clínica Ibérico Nogueira
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