Proteção Solar | Bioderma Portugal

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07 July 2017

Dr. Luís Uva, Dermatologista

Proteção Solar

O cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana). A sua incidência tem vindo a aumentar progressivamente devido, essencialmente, à mudança comportamental a favor de uma exposição exagerada ou inadequada à radiação ultravioleta.

Dr. Luís Uva

 

Proteção Solar

DR. Luís UVA (DERMATOLOGISTA)


O cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana). A sua incidência tem vindo a aumentar progressivamente devido, essencialmente, à mudança comportamental a favor de uma exposição exagerada ou inadequada à radiação ultravioleta. A exposição solar lenta, moderada e progressiva  com proteção solar adequada pode ter vantagens clínicas, contudo, a exposição repetida ou a abrupta e intensa, além do fotoenvelhecimento precoce favorece o aparecimento de cancro cutâneo.

 


A radiação solar é extremamente complexa na sua origem e vai sofrendo processos sucessivos de simplificação à medida que se aproxima do nosso planeta,  de tal modo que quando chega à superfície da Terra é constituída apenas por radiação electromagnética (radiações ultravioleta, visível e infravermelha). A radiação ultravioleta tem três regiões ou faixas diferentes, designadas pelas letras C, B e A.

A radiação UVC é filtrada na atmosfera, particularmente na camada de ozono e não atinge a superfície terrestre. A radiação UVB é responsável pelo fenómeno de síntese da vitamina D na pele, mas é igualmente a principal causa de fenómenos de natureza patológica, como o envelhecimento cutâneo e a carcinogénese.  A radiação UVA representa 95% da radiação UV que atinge a superfície da Terra e, embora seja biologicamente menos ativa, dado o seu menor conteúdo energético, tem a capacidade de penetrar na pele em grande profundidade podendo atingir a junção dermo-epidérmica e a derme superficial.  A radiação UVA não causa queimaduras solares. Como tal, tinha sido descartada como uma potencial causa de cancro da pele. No entanto, investigação recente provou uma relação entre a radiação UVA e o cancro da pele. Paralelamente os raios UVA danificam os tecidos, causando envelhecimento prematuro, rugas e perda da elasticidade da pele.

  Assim, evitar a exposição solar exagerada parece ser a chave para reduzir o risco de cancro de pele. Atualmente, são apontados vários cuidados como sendo essenciais para um convívio saudável com o sol:

1. Procurar a sombra sempre que possível e evitar a exposição à radiação UV entre as 11 e 16h.

2. Usar vestuário de proteção (cores escuras, tecidos de algodão, roupas de mangas compridas, chapéus de abas largas, óculos de sol com proteção UV).

3. Aplicar protetor solar com fator de proteção elevado tanto contra os raios UVA como UVB, 30 minutos antes da exposição solar e renovar as aplicações de 2-2h e após o banho de mar ou piscina, mesmo que o protetor seja à prova de água.
 

 

 

O cancro de pele pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade, mas existem alguns fatores que aumentam a probabilidade de aparecimento de lesões cutâneas malignas. Pessoas com fototipos baixos (pele e olhos claros, efélides), elevado número de nevos melanocíticos (>50),  sob tratamento com agentes imunossupressores, com profissões ou atividades lúdicas que impliquem uma exposição solar por longos períodos  e com história familiar de cancro de pele requerem uma vigilância mais apertada dado estarem sob um risco particularmente elevado de diagnóstico de cancro cutâneo.

  O diagnóstico precoce é essencial para os tratamentos de todos os tipos de cancro de pele. Por isso, a realização do autoexame é apontada como uma das principais medidas que podem levar a uma detecção atempada. Eis alguns sinais de alarme que devem ser considerados durante a realização do autoexame:

1. Aparecimento recente de um nevo (sinal) de cor negra que até então não existia.

2. Modificação de um nevo pré-existente, nomeadamente:

a. Alteração do tamanho (crescimento recente).
b. Alteração da forma (contorno irregular).
c. Alteração da cor (negra, castanha, rosada).
d. Aparecimento de prurido (comichão).
e. Aparecimento de inflamação (vermelhidão).
f. Aparecimento de ulceração (ferida).

g. Aparecimento de hemorragia (sangra facilmente).

A identificação de uma lesão suspeita, deve ser seguida da avaliação por um médico, de preferência um dermatologista. As lesões cutâneas pigmentadas devem ser bem avaliadas. A maioria corresponde a entidades benignas tais como nevos melanocíticos (“sinais vulgares”), lentigos, queratoses seborreicas, dermatofibromas, etc...No entanto, alguns poderão corresponder a neoplasias malignas tais como o carcinoma basocelular pigmentado ou o melanoma maligno. É sobretudo o melanoma maligno que se pretende identificar e tratar numa fase inicial, enquanto a lesão é pouco espessa e ainda não teve tempo/oportunidade de se infiltrar ou mesmo metastizar.

O dermatologista está muito familiarizado com este tipo de lesões e, na maioria dos casos, consegue distinguir facilmente as várias entidades. No entanto, por vezes é difícil a distinção entre um nevo benigno como um nevo melanocítico e um nevo maligno como um melanoma, potencialmente fatal. O uso da dermatoscopia é uma das armas mais importantes que o dermatologista tem à sua disposição para esta avaliação.

Para a realização deste exame é necessário um dermatoscópio óptico ou digital que permite a ampliação e iluminação das lesões revelando estruturas e padrões que são reconhecidos como característicos de várias entidades. Estes achados dermatoscópios correspondem a arranjos citoarquitecturais e vasculares com correspondência histológica.

Enquanto a dermatoscopia óptica manual permite avaliar apenas no momento da consulta o risco de cada lesão, a dermatoscopia digital permite o arquivo digital das imagens obtidas, e por conseguinte, a sua comparação posterior, facilitando a avaliação objetiva e evolução de cada lesão de forma mais segura. Este processo permite dirigir a atenção para as lesões que realmente estão em evolução e monitorizar as que estão estáveis, evitando a remoção de algumas lesões e revelando outras aparentemente insuspeitas mas que ao se alterarem com o tempo deixam de o ser.

  O cancro de pele tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado em fases iniciais. O diagnóstico precoce é por isso fundamental!

Artigo da autoria do Dr. Luís Uva (Dermatologista).